Cicloamazônia

Uma travessia de bicicleta pela Transamazônica

O longo pedal de Apuí à Jacareacanga

Esta foto foi tirada no final da tarde, assim que entramos no Pará. Apesar de já estarmos no município de Jacareacanga, levamos ainda mais umas boas nove horas para chegar até a área urbana, onde nos hospedamos. Foi o pedal mais longo até agora da viagem, 120 km em uma estrada repleta de subidas com piso irregular – uma hora buracos, outra pedras, outra areia fofa. Tinhamos planejado fazer este trecho de Apuí até Jacareacanga, que tem 280 km, em quatro dias, com calma e cuidado. No terceiro dia, quando alcançamos a placa, já tinhamos pedalado uns 50 km e estavamos começando a pensar em parar. Foi quando entramos em uma região de planalto, com a estrada lisinha e uma reta longa, sem variação de altitude, que permitiu desenvolver velocidade média de mais de 20 km/h. Se tudo continuasse assim, poderíamos chegar na cidade antes das 21h! Perguntamos e ouvimos na estrada que teríamos pela frente um caminho plano, sem grandes desafios. Entre dormir mais um dia na mata e pedalar para tentar chegar em uma pousada, decidimos arriscar.

O planalto continuou por uns 20 km, escureceu e nos vimos em um trecho cercado por pastos, sem nenhuma árvore para esticar as redes. Pior, em vez da reta constante, passamos a enfrentar pirambeiras como as que havíamos visto durante toda a manhã (como esta da foto abaixo). Só que desta vez, nas descidas, sem luz, não deu para relaxar. Só com as lanternas foi impossível ver as pedras e irregularidades do terreno, o que nos obrigou a reduzir a velocidade. No finalzinho, para piorar, já umas 2h da madrugada, o cabo de freio do Marcelo arrebentou.

Barbudos, sujos e exaustos, foi difícil encontrar um hotel que nos aceitasse. Acabamos acolhidos com relutância e conseguimos uma boa base para reestabelecer as energias para enfrentar o que deve ser o trecho mais difícil da viagem, os próximos 400 km que separam Jacareacanga de Itaituba. Será a última etapa da viagem, na qual devemos gastar uns dez dias ainda.

Jacareacanga, cuja economia é baseada na exploração do ouro da região, é uma cidade repleta de garimpeiros e índios munducurus. Do centro, é possível navegar pelo Tapajós e alcançar praias lindas de areia clara com água transparente e quente. Foi o que fizemos, alugamos uma canoa com um motor rabeta e gastamos um dia explorando o rio. A foto abaixo foi tirada na Praia do Cupido, uma das dezenas de praias próximas da cidade.

Reestabelecidos, com as bicicletas revisadas, baterias dos equipamentos carregadas e estoques de comida renovados, partimos amanhã. De saída, devemos atravessar uma reserva preservada onde temos a esperança de avistar uma onça em liberdade. Estamos registrando tudo que vemos e o material detalhado será apresentado em reportagens nos sites ((o)) eco e Repórter Brasil, entre outros. Pretendemos trabalhar nestes especiais assim que a viagem terminar. O Projeto Cicloamazônia não é apenas uma expedição turística, mas uma tentativa de construir novas formas de se fazer jornalismo independente com qualidade e de fortalecer e divulgar o cicloturismo. Se você se identificar com a proposta e quiser ajudar, estamos com um financiamento coletivo aberto no Catarse. É só clicar aqui para apoiar.

Valeu!

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This entry was posted on 24/08/2012 by and tagged .

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