Cicloamazônia

Uma travessia de bicicleta pela Transamazônica

Dicas do Fes para pedalar na Amazônia

O Fábio Fes, integrante do Clube de Cicloturismo do Brasil  , já viajou de bicicleta pela Amazônia e de maneira generosa passou dicas valiosas para gente. Ele foi de Rio Branco, no Acre, até o Peru – relatos e fotos incríveis da viagem, como a que ilustra este texto, estão disponíveis no seu blog CicloVivendo. Apesar de ter viajado na direção contrária a que pretendemos fazer e percorrer um caminho quase todo asfaltado, enquanto nós percorreremos basicamente estradas de terra, ele deu dicas que consideramos valiosas. Pedimos sua autorização para compartilhar e organizamos as informações abaixo, de modo a ajudar quem for tentar aventuras parecidas no futuro. Nos próximos dias, publicaremos mais informações e dicas de quem já fez cicloviagens pela região. Confira abaixo ponto as principais dicas do Fes sobre pedalar na Amazônia:

Poeira e lama – “A terra por lá é bem poeirenta, então é necessário guardar bem as coisas. Se chover, aquilo vira uma lama mais pegajosa, mas não passei por este experiência, pois não peguei chuva na pedalada”.

Calor – “Fui em agosto que é a época mais seca no Acre e na Amazônia em geral – isso se o clima não surpreender como tem feito nos últimos anos. Peguei muito calor, mas muito calor mesmo. Durante o dia a temperatura chegava fácil aos 45 – 50oC. Eu acordava bem cedo, ainda escuro e pedalava até umas 10h30, depois parava numa boa sombra e só voltava a pedalar depois das 15h. Pedalar no meio do dia era muito perigoso por causa do calor e do risco de insolação e desidratação. Não sei se estará quente assim, mas é há uma grande possibilidade, então se preparem”.

Sol de tostar – “Também use um bom protetor solar, pois a intensidade dos raios solares perto da linha do Equador é bem forte. Certo dia, me queimei por debaixo da roupa quando pedalei no meio do dia. Depois disso passei a usar protetor inclusive embaixo da roupa. Ah! Eu só pedalo com calça e camisa de manga longa. Além disso, ainda uso um lenço no pescoço para cobrir as orelhas e qualquer outra parte que possa ficar exposta ao sol. Recomendo! Ao contrário do que pensam você não sente mais calor por estar tão vestido, é só acostumar que é muito melhor. E lembre-se dos tuaregues do deserto que se cobrem todos, mesmo no deserto mais quente”.

Água – “Outra coisa para se preocupar e ficar atento é com a água. Não se encontra água potável com tanta facilidade assim, por isso eu sempre levava bastante água. O ruim é que ela ficava quente logo. Pense em como fazer com isso. Uma dica é envolver as garrafas de água com uma meia que a cubra totalmente. Mantendo esta meia molhada a água tente a ficar mais fresca. Outra dica importantíssima é que vocês levem aqueles produtos para esterilizar a água, tipo Hidrosteril, ou cloro de purificação de água. Use sempre, mesmo quando disserem que a água é boa, pois podemos não estar acostumados com o tratamento que eles usam com a água. E o pior inimigo de uma pessoal viajando de bicicleta é um desarranjo no intestino e estômago. Fiquem alerta com isso! Tome muita água e se hidrate muito bem, pois isso ajudará a ficar bem mais disposto”.

Comida – “Com relação à comida, eu estava com fogareiro e toda tralha de cozinha. Como eu gosto também, cozinhei bastante. A comida de lá é boa, o lance é mesmo que eu queria ficar autônomo na viagem. Para cozinhar, se já tiver as tralhas e prática é tranquilo, pois vai encontrar comida para comprar. Só precisa saber mais ou menos quantos dias ficará passando por lugares mais isolados, daí então compre comida de sobra para estes dias e fica tudo bem. Vocês vão encontrar muitas frutas da região para comprar, aproveitem. Tudo que for comprar é um tanto mais caro, pois os produtos vão do sul e sudeste para lá. Nada de muita coisa, mas é bom se atentar a isso também”.

Bicicletas – “Vocês não vão encontrar peças mais sofisticadas, então melhor não ir com uma bicicleta muito sofisticada. Se puder use freio V-Brake, pois se tiver que comprar ou arrumar algo de um freio a disco por lá, pode passar por apuros. O ideal é ir com uma bicicleta com a qual vocês já estejam acostumados, pois faz diferença. Nunca use uma bicicleta pela primeira vez numa viagem, pois pode se dar mal. Tem que usar uma com que já esteja acostumado”.

Alforjes – “Eu usei alforjes na traseiro e dianteira totalizando 70 litros de capacidade de carga, mas a barraca e saco de dormir e mais as garrafas de água ainda. Quando estava totalmente carregado, com comida para vários dias e água eu carregava cerca de 35 quilos de bagagem. Para mim não foi tão complicado, pois fiz um bom treinamento físico antes da viagem e também estou acostumado a viajar de bicicleta e carregar cargas. Mas eu levei toda esta carga porque também carreguei todas as roupas e equipamentos de frio para pedalar pelos Andes. Foi uma escolha minha. Se fosse ficar somente na região amazônica, onde o clima é bem quente, eu levaria bem menos bagagem”.

Peças reservas – “Não levo nada de peças reservas, pois já deixo a bicicleta certinha antes de viajar. Eu mesmo arrumo minha bicicleta, então sei bem como ela está. Só levei, claro, as ferramentas em geral, 2 câmaras de ar reserva, remendos de pneu e o kit gambiarras. Também fui com pneus bons e novos, então não me preocupei com um pneu reserva. Acho que não precisa se o pneu estiver bom”.

Repelente de insetos – “Use e leve um muito bom, pois pode ter problemas com isso. Eu não tive, mas ouvi alguns viajantes dizendo que sofreram com este problema. Também leve um kit de primeiros socorros”.

Acampamento – “Cuidado se forem acampar. De preferência, procurem acampar perto de alguém, de uma casa, de uma fazendo. Peça ao dono do local para acampar no quintal. É bem mais seguro e ainda pode descolar um bom banho e comida, além é claro de conhecer pessoas incríveis e ter mais contato com a cultura local. Se for acampar selvagem, examine bem o local. Veja se não tem rastros e fezes de animas que podem te trazer problemas. É bom ter cuidado nestas horas”.

Rede de proteção – “Outra coisa importante é sempre deixar alguém avisado do caminho que estarão fazendo. Então quando sair de uma localidade onde já conheceram alguém, conte para a pessoa para onde vão nos próximos dias. Isso é muito importante caso necessitem de ajuda com algum problema”.
* Valeu Elisa Flores por apresentar o Fes e intermediar o contato!

One Comment on “Dicas do Fes para pedalar na Amazônia

  1. Elisa Flores
    17/07/2012

    Ler as dicas do meu amigo Fes me faz lembrar seu relato no Encontro Nacional de Cicloturismo: emocionante e engraçado como ele próprio!
    Ótimas dicas! Quem sabe um dia eu pedalo por lá!

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This entry was posted on 17/07/2012 by and tagged .

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